Polícia

Justiça converte prisão em flagrante de policial suspeito de matar colegas em Delmiro Gouveia

Comissão de delegados investiga o homicídio de Yago Gomes e Denivaldo Jardel

Por Lucas França com Tribuna Hoje 20/05/2026 15h42 - Atualizado em 20/05/2026 15h53
Justiça converte prisão em flagrante de policial suspeito de matar colegas em Delmiro Gouveia
Denivaldo Jardel e Yago Gomes foram atingidos dentro da viatura e morreram no local - Foto: Divulgação / PC/AL

A Justiça de Alagoas converteu em prisão preventiva a detenção do policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho, de 61 anos, suspeito de matar dois colegas de farda no município de Delmiro Gouveia, no Sertão alagoano. A decisão considerou que medidas cautelares seriam insuficientes para garantir a segurança da investigação e da sociedade. O juiz determinou ainda que o suspeito permaneça em cela separada, por ser agente de segurança pública, e estabeleceu diligências para subsidiar o caso, como exames toxicológicos nas vítimas e no suspeito, perícia no celular, análise de câmeras de segurança e oitivas de testemunhas.

Uma comissão especial formada pelos delegados Sidney Tenório, Antônio Carlos Lessa e Flávio Dutra foi designada para investigar a morte dos policiais civis Yago Gomes, de 33 anos, e Denivaldo Jardel, de 41 anos. Até o momento, o caso é tratado como homicídio, e a Polícia Civil busca esclarecer a motivação e a sequência dos disparos, que resultaram na morte das vítimas dentro da viatura enquanto retornavam de uma ocorrência.

O delegado-geral adjunto Eduardo Mero informou que duas cápsulas deflagradas e uma intacta foram encontradas no local. O suspeito teria caminhado até a residência da companheira após o crime, onde foi localizado e preso. Gildate declarou que havia consumido bebida alcoólica com os colegas na noite anterior e negou qualquer desentendimento prévio.

Familiares das vítimas estão abalados com a tragédia. Pedro Pereira, pai de Yago, afirmou estar inconformado com a perda e questionou a crueldade do ato. O tio de Yago, delegado Luciano Cardoso, classificou a morte como uma execução e contestou a versão de surto psicótico atribuída ao suspeito, citando antecedentes graves de Gildate.

“Ele assassinou Denivaldo Jardel Lira Moraes e, não concordando com a situação, matou Yago para não deixar testemunhas. Não se pode considerar isso um surto”, afirmou Luciano Cardoso à TV Pajuçara/Record, em frente ao Instituto Médico Legal, onde acompanhou a liberação do corpo do sobrinho.

A Polícia Civil continua realizando diligências, incluindo perícia na viatura, análises de imagens e oitivas, para esclarecer totalmente a dinâmica e a motivação do crime que chocou a população de Delmiro Gouveia.

NOTA DO MPAL

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) informa que tomou conhecimento do caso de duplo homicídio ocorrido nesta quarta-feira (20), em Delmiro Gouveia, envolvendo policiais civis, e que, por meio da 1a Promotoria de Justiça da cidade, acompanha as primeiras diligências e a investigação policial. O promotor de Justiça Dênis Guimarães esteve pessoalmente na Delegacia Regional, onde manteve contato com os delegados.

Já ocorreu a audiência de custódia, em que o MPAL solicitou as seguintes diligências, as quais foram autorizadas pelo Poder Judiciário: quebra de sigilo telefônico e realização de exames toxicológicos do suspeito; realização de exames toxicológicos das vítimas; levantamento e análise de imagens de câmeras de vigilância da região; oitiva de testemunhas que possam ter presenciado os fatos ou que tenham convivido com as partes na noite anterior; e diligências na cidade de Piranhas, tendo em vista as informações de que as vítimas e o suspeito estiveram ingerindo bebida alcoólica na cidade antes dos fatos. Durante a audiência, a prisão em flagrante do suspeito foi convertida em prisão preventiva. 

A investigação segue a cargo da Polícia Civil e, tão logo o inquérito policial seja concluído e enviado ao MPAL, serão tomadas as medidas que o caso requer.